terça-feira, 12 de julho de 2011

Eu Mereço!! Será?

Enquanto lia um texto muito interessante no site da revista Época, fui processando o que a autora nos dizia. É um texto da jornalista Eliane Brum, que fala sobre a geração dos jovens adultos de hoje, a geração do “eu mereço”, consequentemente, a minha geração. Desde a primeira linha eu já comecei a concordar 100% com as observações de Eliane, falando que fomos criados com a ilusão de que a vida é fácil, de que recebemos aquilo que merecemos, e que o que merecemos é muito bom! Culpa de nossos pais, suponho eu, não que nos quisessem mal, mas que tiveram uma infância mais limitada, começaram, em sua maioria, a trabalhar ainda muito jovens e poucos tiveram a chance de cursar um ensino superior e, para fechar o pacote de “sofrimentos”, viveram na época da ditadura militar, onde a liberdade de expressão era quase inexistente. Assim, a intenção foi boa ao quererem nos dar tudo aquilo que não tiveram e nos proteger.

Cada um teve a infância que teve, nós de classe média, media-alta ou alta, uns mimos mais extravagantes. Eu nunca tive uma coleção de Barbies ou tudo o que queria, mas tinha a minha Barbie Ariel e o meu Danoninho. Conforme eu ia lendo o texto, pensava nas dificuldades da minha infância, de fato, como diz a Eliane, não foram muitas, mas houveram sim, fatos marcantes, como por exemplo o fato de ter sido rejeitada na escola, ali pelos nove anos quando as crianças se transformam em “seres do mal”, por ser diferente fisicamente, a menina branquela dos cabelos cor de laranja que cresceu rápido demais. Isso hoje não me afeta mais e acho que foi necessário e bom, pois hoje sou quem sou e me considero muito mais preparada para “o mundo lá fora” do que os meus colegas de cursinho, por exemplo, ou mesmo ex-colegas de aula que já muito me deram exemplo de serem integrantes legítimos da geração do “eu mereço” que ainda não deixaram a barra da saia da mãe e acredito que tão cedo não a deixarão. Tenho um pouco de vergonha, uso essa palavra por não achar outra melhor, por ser da geração que sou, mas sou quem sou e sei que não sou como muitos outros “avoados” que acham que a vida é bela e simples. 

A atual classe C luta muito mais que a jovem classe A, justamente por saber que a vida não é simples ou fácil. Eu aposto as minhas fichas que, logo logo, em alguns anos, muitas pessoas inverterão as classe e as “rebaixadas” não se darão conta do que aconteceu, já que a vida lhes parecia tão fácil. Tenho medo do futuro que nos aguarda, assim como não confio nos jovens profissionais de hoje, os que apresentam coleções de diplomas e carimbos no passaporte e pouquíssima experiência de vida. 
Leia o texto de Eliane Brum aqui.

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